Memorial de Cristiane Regina Ferrari

APRESENTAÇÃO
O memorial, a que me reporto a seguir, é instrumento avaliativo do módulo I do curso de pós–graduação. No momento inicial em que o trabalho foi proposto, fiquei me questionando que dados eu teria para contribuir com a educação brasileira, que fatos da minha pacata vida discente / docente poderiam, de alguma forma, retratar a profissional que sou e que serei ao término dessa especialização, porém, no decorrer do trabalho, fui me deparando com várias situações que fazem parte de uma trajetória na arte de educar.
Tentarei em breves páginas contar a história da minha vida estudantil, acadêmica e profissional. Relato, principalmente, reminiscências diretamente ligadas à arte de educar e relatos da vida pessoal que direta ou indiretamente estejam ligados à docência.

PRIMEIROS ANOS DE ENSINO: PRÉ-ESCOLA E JARDIM DE INFÂNCIA

Meu primeiro contato com a vida estudantil iniciou nos primeiros anos da minha existência. Por ser minha mãe, professora de séries primárias, sempre preparava em casa suas aulas lúdicas ou de alfabetização, permitindo-me um contato com o lápis e o papel desde os três anos de idade. Em 1986, fui matriculada no pré (série que antecedia o jardim) na Escola Estadual Professor José Pansera (Figura 1), na sede do distrito de Pinto Bandeira, acompanhando assim, minha mãe no seu ambiente de trabalho. Na época eram poucas as crianças que faziam o pré e o jardim de infância, principalmente no meio rural, porém, como minha mãe dava aulas na mesma escola para a 1º série, eu tive esse privilégio.Realizei o jardim no ano seguinte, na mesma escola e tive uma professora maravilhosa, “Teresa”, que ainda hoje, por ela, tenho um carinho todo especial: ela era doce, meiga, sempre valorizava as atividades, mesmo quando não estavam de acordo com o solicitado e procurava sempre mostrar o caminho certo ao invés de punir os erros.
Reconstituindo a história da escola onde estudei grande parte da minha infância e adolescência me deparei com vários fatos curiosos e dignos de memória. Antes mesmo de haver um prédio próprio da escola o Professor José Pansera reunia as crianças em sua casa para alfabetização na língua italiana. Em 1930, surge a Escola Pública de Nova Pompéia num casarão velho doado por uma moradora local, tendo como professor José Pansera que ensinava somente aos meninos. Em 1939 pelo Decreto nº 7675, foi criado o grupo escolar de Pinto Bandeira. Em 1964, por solicitação da Direção e Circulo de Pais e Mestres, a mesma passou a denominar-se Grupo Escolar Professor José Pansera em homenagem ao grande mestre que por mais de 50 anos exerceu o magistério na região.
A poesia extraída do livro “Epopéia da Minha Terra” do padre Agostinho Nichetti –1978, retrata bem a importância do professor José Pansera para a educação regional.
Para educar as crianças, do futuro a esperança,
Do nosso lugar,
Nasceu forte e brioso, embora moroso,
O Grupo Escolar.
Honrado o mestre que outrora,
Aqui tão bem lecionou,
Figura nobre que era, o Professor José Pansera.
Ao Grupo o nome emprestou.

EDUCAÇÃO FUNDAMENTAL – 1º A 4º SÉRIE

De 1º a 4º série estudei na Escola Municipal de 1º Grau Incompleto Plácido de Castro, localizada no interior de Pinto Bandeira (Figura 2). Essa escola tinha um ambiente bem familiar: era próxima de casa, minha mãe era diretora e professora e minhas professoras eram da comunidade. A escola era pequena, com apenas duas salas de aula, biblioteca, cozinha e banheiro. As turmas eram unidas, sendo que a mesma professora atendia às vezes duas ou três turmas ao mesmo tempo.
Quando minha mãe era diretora da escola, era também professora, faxineira, merendeira, administradora, entre outras funções que exercia na comunidade.As escolas municipais rurais da época não possuíam infra-estrutura nenhuma e cabia à direção resolver todos os problemas e realizar todas as tarefas para o funcionamento das mesmas. Cabia também aos filhos da diretora sempre participar de atividades comemorativas e festivas da comunidade, sendo figurantes de teatros, jograis, e participando da liturgia e cantos da missa.
Estudava de manhã e à tarde ficava com minha avó que era bem idosa e doente. Não tinha muito tempo para brincar com meus vizinhos a não ser em raras exceções quando vinham lá em casa, aí brincávamos com a roupa da minha mãe, mexíamos nas coisas da minha avó, fugíamos para o açude para tomar banho, ouvindo minha avó gritando da janela ou íamos pular e fazer tocas nas palhas de trigo.
Nunca fui à escola sem realizar as tarefas de casa e sempre fui muito esmerada e caprichosa. Mesmo quando estava doente “brigava” com meus pais para ir à escola.

ENSINO FUNDAMENTAL – 5º A 8º SÉRIE

A partir da 5º série retornei ao José Pansera e concluí o antigo ginásio. Sempre fui muito dedicada aos estudos e sempre obtive notas ótimas. Os professores sempre faziam elogios a meu respeito para minha mãe. Foi nessa fase que comecei a entender que um professor não precisa ser prepotente e autoritário para ter autoridade e ser respeitado em sala de aula, que nem todo o professor “bonzinho” é um ótimo professor e que um bom exemplo faz toda a diferença para a educação do aluno.
A partir dos 12 anos de idade começaram as “reúnas”, os bailes de escolha da rainha da escola e outras festinhas. Era uma tortura para conseguir sair de casa. Minhas amigas tinham irmãos mais velhos que os acompanhavam às festas e meu irmão ainda jovem não gostava de sair, mas conseguia que meu pai me levasse, às vezes.
A conclusão do ensino fundamental se concretizou com uma excursão para Torres (conforme figura 3 em anexo). Foi muito divertido, pois era a primeira vez que ia tão longe sem meus pais. Quase fomos expulsos do hotel de tanta bagunça que fizemos.
O período de férias que se seguiu foi também o momento da decisão: em que escola estudar? Onde morar? Fazer magistério ou científico? Ir à mesma escola que minhas colegas ou perseguir meus ideais? Resolvi seguir meu coração e fui sozinha para uma escola de ensino científico, pois na época não tinha interesse no magistério.

A PRIMEIRA ESCOLHA: SEGUNDO GRAU

Com quatorze anos, iniciei o ensino médio na Escola Mestre Santa Bárbara, localizada em Bento Gonçalves. Nessa época, por ser moradora do interior e filha de agricultores, precisei sair de casa e morar na cidade para prosseguir com os estudos, já que na minha localidade não havia escola de ensino médio.Freqüentava as aulas pela manhã e à tarde trabalhava numa empresa. Foi uma época que, com certeza, deixou-me muitas marcas: algumas boas, outras nem tanto. Entre elas estava a necessidade de abdicar de cursos de formação, esportes e grupo de estudo, em prol do trabalho e, em contrapartida, o reconhecimento pela responsabilidade e independência. Era necessário amadurecer rapidamente, ser uma dona-de-casa responsável com a limpeza, com a alimentação e com as finanças. Claro que meus pais sempre me assistiram emocional e financeiramente, porém não da mesma forma como se residisse com eles. Essa fase me tornou responsável e ciente das dificuldades da vida. Foi nessa época que conheci algumas pessoas que até hoje são referências e que fazem parte da minha vida social. Uma delas é “Cristiane”, que sempre me incentivou a fazer uma faculdade, me auxiliou na troca de curso para Licenciatura, ajudou-me nos trabalhos de aula, emprestou-me os livros e o computador que eu não podia comprar. Outra amiga,“Gislaine”, que também morava próximo a minha casa sempre elevava minha auto-estima e afirmava que cultura e conhecimento são as bagagens mais valiosas que temos. Até hoje são minhas amigas, freqüentam minha casa, e vão a festas comigo.
Quanto aos professores acabei me decepcionando um pouco, pois a escola era famosa por ser a melhor estadual da cidade, por possuir os professores mais gabaritados da cidade e, no entanto como em todas as instituições havia os bons professores, os educadores exemplares e os que apenas compareciam à aula e faziam a chamada.
A escola era rígida, porém era época de greve do magistério e o primeiro ano foi marcado por “meias aulas”, dispensas sucessivas e períodos ociosos. Apesar de me considerar uma ótima aluna, fiquei de exame em matemática no primeiro ano.
A professora “Clari” não incentivava o uso do raciocínio lógico, apenas nos fazia decorar estruturas de cálculos e fórmulas, não permitindo assim, o conhecimento e o prazer pelos cálculos. Não atingi os objetivos necessários para aprovação por “décimos”, quase enlouqueci, tinha medo de reprovar e estudava freneticamente: não comia, não dormia, não saia de casa. Passei com nota dez. Alívio! Formei-me e fizemos festa com toda a turma (ver anexo – figura 4).

A SEGUNDA ESCOLHA: VESTIBULAR E FACULDADE

No final do ensino médio veio a dúvida: o que quero ser? Que profissão quero exercer? Quais os meus objetivos de vida? Era cedo demais para decidir, era preciso escolher entre pagar uma faculdade e morar perto de casa ou tentar uma federal e ficar longe de todos. Fiz exame vocacional e o resultado demonstrou fortes tendências para área da saúde ou social. Prestei vestibular na Unisinos para Engenharia de Alimentos em 1998, aprovei e fiz dois semestres. Decepcionei-me, não me encontrei, não conseguia pagar mais que três disciplinas por semestre, não conseguia bolsa de estudos e resolvi que precisava mudar de curso, um curso que houvesse mais interação com as pessoas e com o meio ambiente e ao mesmo tempo que fosse financeiramente mais viável.
Em 1999 troquei para o curso de Biologia. Amei o curso, muito prático e interativo, os colegas eram todos muito participativos e festeiros.Havia muitas saídas a campo para exploração e pesquisa. Essas saídas eram sempre muito divertidas, apesar de muitas vezes nos depararmos com situações complicadas como: tomar banho em açudes gelados por não ter banheiros suficientes, ter que dormir ao relento em sacos de dormir por não ter alojamento para todos, ter que comer tarde, acordar cedo, fazer coletas na mata durante a madrugada, pegar chuvas torrenciais e pegar uma gripe daquelas, passar uma semana inteira coçando e tomando cortisona para curar a alergia da aroeira brava (Ver figuras 5 e 6 em anexo).
Quanto aos professores, como em toda instituição, havia educadores exemplos tanto em didática quanto em conhecimento e havia outros que simplesmente não tinham nenhum compromisso com os profissionais que estavam formando. Alguns possuíam um vasto conhecimento na área da pesquisa científica, porém não possuíam o mínimo de didática, enquanto que outros se restringiam a manipular material e livros defasados.
O período da faculdade foi muito promissor, porém não tanto quanto eu gostaria. Muitos colegas tiveram a oportunidade de realizar estágios nos diversos campos de pesquisa da universidade, enquanto que por restrição de tempo, devido à necessidade de trabalhar, tive pouco contato com a pesquisa científica, me restringindo aos estágios obrigatórios e as disciplinas curriculares. Lembro-me que muitas vezes acordava às 4:00 horas da manhã, tomava banho, tomava café, estudava até de manhã e ia trabalhar.
No sexto semestre do curso fui convidada a lecionar numa escola estadual com contrato emergencial. Eu continuava a trabalhar no escritório pela manhã, ia às aulas à tarde e algumas noites. E outras eu lecionava.
Por ser curso de licenciatura, nos últimos semestres iniciaram-se as disciplinas de Práticas Docentes e os respectivos estágios. O meu primeiro estágio foi numa 6º série, na mesma escola em que eu lecionava à noite. Essa turma foi meu primeiro contato com adolescentes e não foi muito promissor. A turma era bem diversificada quanto à idade e classe social e era constituída por muitos repetentes. Eles não tinham sossego, eu passava três períodos diretos com eles gritando e tentando fazer-me ouvir. As aulas de ciências nessa turma me deixavam frustrada e desanimada. Meu segundo estágio foi no ensino médio, em uma turma em que lecionava Biologia. Por ser uma turma que já conhecia eu não tive grandes dificuldades. Ressalvo que em nenhum momento dos meus estágios tive observação ou orientação presencial por parte dos professores, também não fiz aulas de observação, apenas redigia relatórios e os apresentava. Nunca tive a oportunidade de assistir a uma aula, nunca tive oportunidade de ser criticada ou corrigida, fato que me deixou por anos insegura. Será que sou uma boa professora? Será que estou cumprindo com meus deveres e atingindo os objetivos?
Meu estágio científico foi na área de Neurociências. Escolhi essa área por lidar com a cognição e a exploração das emoções e dos sentimentos. O estágio vinha ao encontro dos meus interesses docentes, pois eu sempre acreditei que a auto-estima, a situação psicológica do indivíduo, tem relação estreita com a aprendizagem. Fiz meu estágio com Transtorno de estresse pós –traumático – TEPT, sob orientação de um professor psiquiatra que lecionava para o curso de Psicologia.
Meu primeiro contato com a pesquisa foi complicado, porém muito prazeroso. O professor era bem conceituado e exigente com as técnicas de pesquisa e com o preenchimento dos relatórios. Terminado o estágio, era momento de pensar no trabalho de conclusão, resolvi continuar na área de pesquisa do TEPT. Todo e qualquer processo durante o mesmo foi realmente trabalhoso, primeiro por ser meu professor muito atarefado e dispor pouco de seu tempo para orientação, segundo por ser a bibliografia dessa área toda americana e eu não dominar o inglês e terceiro por ser de uma área que eu tinha conhecimento escasso (Psiquiatria), porém muito interesse.
O tema da pesquisa era bem interessante, pois trabalhava com o transtorno que indivíduos desenvolviam após algum trauma significante (estupro, assalto, acidente em massa, etc), e estudava-se quais áreas da cognição e conhecimento que eram afetadas tanto emocionalmente quanto fisiologicamente no sistema nervoso do indivíduo.Isso me despertou e tornou-me mais observadora na sala de aula. Aprendi a valorizar mais o diálogo com os alunos, a ficar atenta a determinadas atitudes e ouvir com mais atenção os alunos que tinham dificuldades de relacionamento tanto na família como na sala de aula.
Terminei meu artigo, obtive aprovação e me formei em 2005 após muita luta, tanto financeira quanto intelectual.A formatura foi um momento inexplicável e maravilhoso tendo presentes as pessoas significativas e queridas (figura 7).

DOCÊNCIA: O CAMINHO ESCOLHIDO

Como comentado anteriormente, após alguns anos acadêmicos surgiu a oportunidade de ministrar aulas de Biologia e Química como contrato emergencial do Estado –RS. Aceitei o desafio, enfrentei muitas dificuldades no início da carreira docente, porém tive também várias experiências maravilhosas até os dias de hoje. Continuo até hoje dividindo o meu tempo entre a carreira administrativa (gerencio o sistema de qualidade e ambiental de uma empresa) e a carreira de magistério que me traz muitos dissabores (desvalorização profissional e alunos mal-educados) e também muitas alegrias (amizades, alunos interessados, engrandecimento, etc).
A carreira de magistério foi em parte estimulada pela experiência materna, secundariamente, pela necessidade de ampliar os recursos financeiros e posteriormente pela paixão em educar.
Minhas primeiras turmas foram na escola Landel de Moura. Os alunos eram super desmotivados, uns pelo cansaço após um dia de trabalho, outros pela desmotivação natural do ambiente em que residiam (geralmente alunos de classe média baixa).Com o passar do tempo, fui descobrindo que aqueles alunos precisavam de carinho e motivação para aprender. Por serem alunos pobres, trabalhadores que estudavam por obrigação (menores de idade ou exigência do emprego), tinham pouco contato familiar e até estímulo para mudar de vida. Muitos desses alunos eram usuários de drogas e iam à escola para traficar. Muitas adolescentes já eram mães e, geralmente, ainda assistidas pela família paterna.Logo senti necessidade de readaptar minhas aulas. Aquelas aulas teóricas, ricas de conteúdo, incentivadas na faculdade, não eram adequadas àquele ambiente escolar. Precisei alcançar o interesse daqueles alunos de forma mais dinâmica e prática, realizando aulas de laboratório e saídas a campo, mesmo assim atingindo uma pequena parcela da turma.
Ninguém educa ninguém.
Ninguém educa a si mesmo.
As pessoas se educam entre si,
Mediatizadas pelo mundo.
Paulo Freire


O ambiente escolar era bem agradável, os colegas de profissão eram bem acessíveis e divertidos. Nesse mesmo período, fiz meu estágio à tarde, nessa mesma escola. A experiência com a 6a série, já relatada anteriormente, foi desgastante. Era praticamente impossível agradar e despertar atenção daqueles alunos. Terminei o estágio decidida a nunca mais trabalhar com adolescentes.
Fiquei nessa escola durante um bom tempo até ser substituída por uma professora nomeada. No ano seguinte, iniciei na escola onde concluí o ensino médio: Escola Mestre Santa Bárbara. Apesar da expectativa de retornar à escola, não tive uma experiência muito positiva. Logo no início fui bem recebida, encontrei como colegas de profissão alguns antigos professores e pude comparar diferentes métodos de organização entre uma escola e outra. Percebi logo que a escola tinha uma direção mais presente, mais exigente e mais organizada, porém o grupo de professores, com raras exceções, era bem “fechado”. Não era possível trocar informações, dúvidas e nem desabafos. Por considerar a troca super positiva e não conseguir estabelecer contato com os demais professores, o intervalo era muito penoso e deprimente.
Em relação aos alunos houve alguma mudança: eram alunos diurnos que na maioria não trabalhavam, eram mais questionadores, mais organizados nas tarefas, portanto mais ativos.
No ano seguinte fui transferida para a escola que leciono até hoje: Colégio Dona Isabel. A princípio receosa, já que a proposta era trabalhar com jovens e adultos, uma proposta totalmente nova, da qual eu não tinha nenhum tipo de formação. Já nos primeiros momentos me surpreendi: é maravilhoso trabalhar com adultos apesar de ter que trabalhar para elevar a auto estima dos mesmos, que se sentem culturalmente excluídos. É difícil convencê-los de que são lutadores e vencedores por estarem retornando à sala de aula desmistificando que são perdedores, que são os excluídos da sociedade.
Por ser uma escola com prioridade em ensino médio e ainda naquela concepção que todos devem ter igualdade de tratamento, o EJA nunca foi tratado como deveria. Muitas atividades eram deixadas de lado para não criar “problemas” com os professores e alunos do ensino médio, não se abriam exceções porque a escola era uma só, enfim o trabalho com a EJA acabava sendo um ensino médio tardio e em menos tempo.Criei muitas amizades, tanto com o grupo de professores que na sua maioria era bem unido e batalhador, porém era “podado” pelas exigências da lei e da escola, e também com os alunos que até hoje tenho contato social.
No início desse ano, tive que ceder meu lugar na EJA para uma professora nomeada e fiquei apenas com duas turmas de ensino médio, precisando assim procurar outra escola para completar minha carga horária. Para minha alegria a escola que precisava de professor de Biologia era um núcleo de EJA: Neejacp Metamorfose. Novamente houve necessidade de adaptação ao novo ambiente de trabalho: colegas, alunos, concepção, filosofia e métodos da nova escola.
O núcleo é exclusivo para Jovens e Adultos o que torna o trabalho mais favorável e direcionado à modalidade EJA. Logo que ingressei tive a impressão de que a adaptação iria ser difícil, já que escola tem metodologia e filosofia embasada em Paulo Freire diferente de tudo o que já trabalhei. Mas, com o passar do tempo, fui percebendo que o planejamento coletivo e a organização permitem um trabalho maravilhoso.Todo o planejamento escolar é feito pelos professores e direção de forma conjunta e democrática, em reuniões semanais de formação. Trabalha-se com redes temáticas e temas geradores de forma transdisciplinar e focado na realidade dos nossos alunos.
A rede temática de 2006 é o planejamento familiar. A partir de falas dos alunos coletadas nas salas de aula, nos corredores e na aula inaugural, foi montada a rede temática que tem como tema principal o planejamento familiar. Na disciplina de Biologia há uma gama enorme de conteúdos e assuntos a serem trabalhados.No estudo da fisiologia serão abordados: a morfologia e funcionamento do aparelho reprodutor, os métodos anticoncepcionais, as DTS’s, a gravidez na adolescência, o aborto, as estatísticas brasileiras e mundiais de natalidade.Na genética será enfocado: heranças e doenças genéticas, mutações e tipagem sanguínea.
Os temas são abordados de forma expositiva e posteriormente em forma de mesa redonda, onde os alunos realizam debates e constroem coletivamente uma opinião. São também realizados seminários, em que os alunos, mediante fornecimento de material de pesquisa, elaboram uma discussão e montagem de seminário para apresentação e avaliação dos colegas. São montados cartazes, lâminas ilustrativas e exposição de objetos relacionados ao tema. A avaliação é feita através de conceitos previamente discutidos com os alunos. Os alunos são avaliados de forma contínua e individual, preservando sempre as habilidades e limites de cada sujeito.

CONCLUSÃO

Tem sido uma nova faculdade para mim essa experiência maravilhosa com EJA, que tem demonstrado que é possível educar de forma diferente, sem repressões, sem provas, incentivando a participação do aluno, valorizando o conhecimento prévio que cada sujeito tem do cotidiano e das experiências vividas. Essa experiência melhorou minha auto-estima como profissional, ampliou também minhas expectativas quanto ao futuro da educação brasileira e é por esse motivo que abracei com muito entusiasmo essa nova oportunidade de aprendizagem e conhecimento fornecidos através dessa especialização.
Através desta especialização pretendo melhorar meu currículo e aprofundar meus conhecimentos nessa nova modalidade, podendo me tornar uma profissional competente e que contribua para o crescimento do nosso país.
Uma linha de pesquisa para o trabalho de conclusão que me interessa e me deixa instigada é a EJA nas comunidades rurais. Acho que por ser oriunda do meio rural e saber das necessidades de formação dessas pessoas, acho imprescindível que eles tenham acesso à educação, mas uma educação com currículos adaptados as suas reais necessidades e que venha a contribuir para o seu crescimento econômico, cultural e social. Outro tema que me atrai é o método avaliativo utilizado para garantir a aprendizagem, o crescimento e a cidadania dos sujeitos de Proeja.
Busquei desenvolver neste memorial uma síntese de minha trajetória intelectual que, em última análise, é a síntese evolutiva das idéias e concepções que fui construindo através do movimento da minha vida.
Aprendi muito, porém sei que sempre terei muito a aprender. Como disse Paulo Freire, 1975 “... inacabado, sei que sou um ser condicionado, mas consciente do inacabamento, sei que posso ir mais além dele”, p.24.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

FREIRE, Paulo. Educação como prática de liberdade. 5ª ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1975.
______. Pedagogia do Oprimido. 3ª ed. Rio de Janeiro. Paz e Terra, 1975.
NICHETTI, Agostinho. Epopéia da Minha Terra. 1ª ed. Bento Gonçalves: Moura,1978.

5 comentários:

Anônimo disse...

SEU MEMORIAL É TUDO DE BOM, FOI DE GRANDE VALIA

Anônimo disse...

ótimooooooooooooooooooooooooooooo ameeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeei SOU FÃ JÁ AMIGA

Anônimo disse...

AMEI AMEI AMEI AMEI AMEI DIVAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA DYWA

Anônimo disse...

LINDAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA, GOSTOSA!

Anônimo disse...

TENHA FILHOS COMIGO